Carnaval: o sorriso brasileiro não se apagará

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É Carnaval, e nós, brasileiros, devemos comemorar SIM.

Estamos vivendo um dos maiores escândalos políticos da história do país, estamos vivendo em meio a um surto de doenças transmitidas por um simples mosquito, tem aumentado o número de evasão escolar em um ambiente em que se fala em inclusão.

E onde se encaixa a palavra “comemorar”? O brasileiro tem perdido aos poucos o brilho nos olhos, a vontade de sorrir, e o sentimento de uma cultura livre e colorida.

Por muito tempo fomos considerados um dos povos mais alegres e felizes do Planeta, e aos poucos toda a imensidão de cores está ficando cinza, fruto do desgaste emocional gerado pela descrença política, fruto dos desastres de ordem natural ocorridos em alguns Estados e por fim, mas não menos importante, o alto número de desempregados no país.

O Brasil já foi sinônimo de sorriso no rosto e alegria estampada na testa, e porque não termos isso novamente ao menos quatro dias do ano?

Carnaval é parte da nossa cultura, o carnaval é uma marca registrada Brasileira conhecida no mundo todo e celebrada nos quatro cantos do país em suas diversas formas.

O estrudo (festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos) foi por muito tempo motivo de festa para escravos que quase não tinham motivos para sorrir. Poucos sabem, mas o carnaval originou-se também dessa festa realizada em colônias de escravos.

Sem falar nas pessoas envolvidas nessa festa, sejam elas como organizadoras de trio elétricos, donos de bares que ficam amarrotados de pessoas consumindo e gastando o pouco que tem destinado ao lazer, como também os foliões de escolas de samba que passam o ano todo esperando por rápidos 60 minutos percorrendo uma avenida que unem raças e credos.

São quatro dias de festas, de sorrisos, de inclusão, de alegria e afins. E porque eu não citei coisas como alcoolismo desenfreado, sexo sem proteção e mortes nas estradas? Porque o Brasileiro precisa nesse momento falar de coisa boa, porque coisa ruim, temos vivido todos os dias.

Tenhamos empatia (“capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela”) com os outros, pois, para nós o carnaval pode não significar nada, mas para muitos é uma data comemorativa tão importante como uma festa de aniversário. Então, chega de discurso de ódio nas redes sociais, chega de hipocrisia de dizer que trocaria o carnaval por isso e aquilo, VOCÊ não gosta, mas o vizinho ao lado SIM, respeitemos o outro e suas escolhas.

Ah, antes que eu me esqueça, não pense que se não existisse o carnaval, o  dinheiro seria empregado em saúde ou educação, porque sabemos que não seria.

VIVA O CARNAVAL, VIVA A ALEGRIA, VIVA O BRASIL !


Sobre o autor:

image1Me chamo Luís Martins, tenho 23 anos, sou estudante de Psicologia da Universidade Padre Anchieta, em Jundiaí – SP. Moro no Jardim Fepasa, uma periferia de Jundiai.
https://twitter.com/ExLanternaVerde

 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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